São 40 dias de oração, jejum e penitência em honra de São Miguel Arcanjo — de 15 de agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora, a 29 de setembro, festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.
A tradição nasceu com São Francisco de Assis, no século XIII. São Boaventura, seu biógrafo, registra na Legenda Maiorque Francisco, por devoção aos anjos, “jejuava quarenta dias a partir da Assunção da gloriosa Virgem”, entregue continuamente à oração. Em agosto de 1224, Francisco subiu ao Monte Alverna, na Toscana, para viver essa quaresma — e foi ali, por volta da festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), que recebeu os estigmas, as chagas de Cristo no próprio corpo. A família franciscana celebra os Estigmas de São Francisco em 17 de setembro, dentro do próprio período da quaresma que ele rezava.
É importante dizer com clareza: a Quaresma de São Miguel não é uma quaresma litúrgica oficial— não está no calendário da Igreja, e ninguém é obrigado a ela. É uma devoção da piedade popular, com raiz franciscana documentada. O que é oficial é a festa dos Santos Arcanjos, em 29 de setembro, cuja origem remonta à dedicação de uma basílica a São Miguel perto de Roma, nos séculos V–VI. E os grandes santuários do Arcanjo vivem intensamente esse tempo: o de Monte Sant’Angelo, no Gargano (Itália) — o mais antigo do Ocidente, ligado às aparições de São Miguel a partir do ano 490 — prepara a festa com uma novena; no Brasil, o Santuário São Miguel Arcanjo de Bandeirantes (PR) tem programação própria a partir de 15 de agosto.
Nos últimos anos, a devoção ganhou escala nacional no Brasil: milhões de fiéis passaram a acordar de madrugada, durante os 40 dias, para rezar o Rosário nas transmissões ao vivo que começam às 4h da manhã — um dos maiores fenômenos de oração ao vivo do mundo. A onda renovou também as buscas pela história da devoção, pelas orações tradicionais a São Miguel e por materiais para rezar em família e em grupo.
46 dias corridos, vividos como 40 — os domingos não são dias de penitência.
15 de agosto (sábado) — começa a Quaresma de São Miguel, na solenidade da Assunção de Nossa Senhora. 14 de setembro — Exaltação da Santa Cruz; 17 de setembro — festa dos Estigmas de São Francisco, recebidos no Alverna durante esta quaresma em 1224. 20 a 28 de setembro — novena de São Miguel Arcanjo, no costume brasileiro (o santuário do Gargano reza a sua de 19 a 27). 29 de setembro (terça) — festa de São Miguel, São Gabriel e São Rafael, encerramento e dia da consagração ao Arcanjo.
A contagem popular dos “40 dias” pula os domingos, como na Quaresma que prepara a Páscoa: domingo é o Dia do Senhor, não de penitência.
Não há regra obrigatória — é devoção, não preceito. A prática corrente entre os fiéis reúne: oração diária (o Rosário e a oração de São Miguel composta por Leão XIII em 1886, que São João Paulo II recomendou a todos em 1994); uma penitência escolhida no primeiro dia e mantida pelos 40 dias (açúcar, telas, televisão — algo pequeno e possível); jejum às sextas-feiras; confissão ao longo do período; caridade concreta; e um canto de oração em casa, com uma vela diante da imagem do Arcanjo. Nos últimos nove dias, a novena; na festa, a consagração a São Miguel.
É exatamente essa caminhada que nós guiamos, um dia de cada vez: todos os dias ao meio-dia publicamos um vídeo de oração — a oração do dia por inteiro, uma meditação e o Caminho do Dia — e entregamos gratuitamente o itinerário completo em PDF, com as orações tradicionais íntegras e a fonte documentada de cada uma, pronto para imprimir e rezar no grupo de oração.